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O Anjo das Crianças
(Sociedade, Médium Senhora de Boyer.)
"Chamo-me Micaél; sou um desses Espíritos prepostos para a guarda das crianças.
Que doce missão! E que felicidade dá ela à alma!
A guarda das crianças, direis?
Mas não têm seus anjos, prepostos para essa guarda?
E por que é necessário ainda um Espírito encarregado de
se ocupar delas?
Mas não pensais naqueles que não têm mais essa boa mãe? Não os há, ah! muitíssimos destes?
E a mãe, ela mesma, algumas vezes não tem necessidade de ajuda?
Quem a desperta no meio do seu primeiro sono?
Quem fá-la pressentir o perigo, inventar o alívio, quando o mal é grave?
Nós, sempre nós; nós, que desviamos a criança da margem na qual se precipita estouvadamente, que afastamos dela os animais nocivos, que desviamos o
fogo que se poderia misturar aos seus louros cabelos. Nossa missão é doce!
Somos nós ainda que lhe inspiramos a compaixão pelo pobre, a doçura, a bondade;
nenhum dos mais maus mesmo poderia nos evitar;
há sempre um instante em que seu pequeno coração nos está aberto.
Mais de um, entre vós, se espantará dessa missão; mas não dizeis freqüentemente: há um Deus para as crianças? Sobretudo para as crianças pobres?
Não, não há um Deus, mas anjos, amigos.
E como poderíeis explicar, de outro modo, os salvamentos miraculosos?
Há ainda muitas outras forças das quais não supondes mesmo a existência;
há o Espírito das flores, o dos perfumes, os há aos milhares, cujas missões, mais ou menos elevadas, vos
pareceriam deliciosas, invejáveis segundo a vossa dura vida de provas; eu os convidarei a vir ao vosso meio.
Eu estou neste momento recompensado de uma vida toda devotada às crianças.
Casada jovem com um homem que as tinha muitas, não tive a felicidade de tê-las por mim mesmo; toda devotada a eles, Deus, o bom e soberano senhor, concedeu-me ser ainda o guardião das crianças.
Doce e santa missão! Eu o repito, e cuja onipotência mães aqui presentes não poderiam negar.
Adeus, vou em apoio aos meus pequenos protegidos; a
hora do sono é a minha hora, e é necessário que eu visite todas essas bonitas pálpebras fechadas.
O bom anjo que vela sobre elas, sabei-o, não é uma alegoria, mas bem uma
verdade."
Revista Espírita, abril de 1860
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